Olás mais uma vez!
Apresentamos aqui a nova Assessoria de Pós-Graduação da ENEV! Para ter acesso à carta de apresentação, cliquem aqui.
Entrem em contato em caso de dúvidas/sugestões/qualquer coisa!
abraço coletivo OU, na gíria do Rio Grande (terra dos assessores), um quebra costelas!
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Mais atualizações no Blog!
Já está editada e atualizada a guia "Estrutura da ENEV", e em breve atualizaremos nossos contatos, afim de aproximar ainda mais dos estudantes nesse país imenso!
Abraço coletivo!
Abraço coletivo!
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Mais sobre o ENADE: conteúdo das provas para a Veterinária e sua relação com uma avaliação de verdade
Olás,
prosseguindo no fomento de discussões sobre o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), vamos passando mais algumas informações e achados pela internet acerca do mesmo. No mês passado o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável por todo o processo do Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, onde o ENADE está inserido), divulgou em Portaria do Diário Oficial da União os conteúdos das provas dos cursos que serão avaliados esse ano, dentre eles a Medicina Veterinária.
O conteúdo pode ser acessado clicando aqui, onde consta a Portaria nº222 de 13 de Julho de 2010.
A princípio podemos até dizer que é bem generalista, visando conferir ao conteúdo previsto nas Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de graduação. Porém, ao avaliar o penúltimo artigo podemos já apontar algumas contradições em relação à tudo que foi colocado anteriormente:
Art. 8º A prova do Enade 2010 terá, em seu componente específico da área de Medicina Veterinária, 30 (trinta) questões, sendo 3 (três) discursivas e 27 (vinte e sete) de múltipla escolha, envolvendo situações-problema e estudos de casos.
As perguntas que ficam: como uma prova desse teor, com quatro horas de duração, terá condições de avaliar conteúdo de tal extensão, como a própria Portaria descreve? Uma prova teórica, de escrita, tem condições de avaliar a precisão prática inerente à muitas áreas de atuação do Médico Veterinário?
Claro, sabemos que o ENADE não é um processo isolado, faz parte de um Sistema maior de avaliação, que inclui visitas às Instituições de Ensino Superior (IES), avaliando sua estrutura física, pedagógica e administrativa. Mas, se no fim é um processo amplo de avaliação das IES, porque a culpabilização dos estudantes? A ameaça de não colar grau, de não conseguir bons empregos, muitas IES Privadas já o fazem (rodando a internet, fácil fácil achamos esse link - ver pergunta nº9), e as públicas a cada dia mais se engalfinham nessa onda, na disputa do tão escasso recurso público. Se uma instituição não anda bem das pernas, nada mais justo do que incentivá-la mais, não? Mas será que isso é feito mesmo?
São algumas ponderações que colocamos, mas vamos seguindo no debate!
Abraço coletivo!
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Exame Nacional de Avaliação de Desempenho dos Estudantes - ENADE
olás,
esse ano é ano de ENADE para os cursos de Medicina Veterinária em todo o país. Como forma de fomentar o debate, e antes de divulgarmos um posicionamento mais claro, começaremos pela estratégia de apresentar a visão do Ministério da Educação (MEC), que faz ampla defesa do Exame, e a visão das pessoas que ao longo dos últimos anos organizaram ações contra o Exame.
Site do MEC com demais informações sobre o Exame: http://www.inep.gov.br/superior/enade/default.asp
Cartilha do Fórum de Executivas (FENEX) sobre a campanha de boicote ao ENADE, produzida em 2009:
Texto base de preparação para o I Seminário Nacional sobre o ENADE, ocorrido em 2007 em Belo Horizonte/MG:
vamos atualizando ao decorrer dos debates!
abraço coletivo!
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Vídeos da Assessoria de Questão Agrária
Vídeos da Assessoria de Questão Agrária da ENEV, sobre o Assentamento Santo Dias em Guapé/MG. Imagens, videos, entrevista e outras informações sobre o local e as atividades desenvolvidas por lá.
Assentamento Santos Dias - Parte I
http://www.youtube.com/watch?v=ELRfQuUIvlU
Assentamento Santos Dias - Parte II
http://www.youtube.com/watch?v=E_6AFZpJDVA&feature=related
Assentamento Santos Dias - Parte III
http://www.youtube.com/watch?v=dQNSP5a_fXo&feature=related
Assentamento Santos Dias - Parte I
http://www.youtube.com/watch?v=ELRfQuUIvlU
Assentamento Santos Dias - Parte II
http://www.youtube.com/watch?v=E_6AFZpJDVA&feature=related
Assentamento Santos Dias - Parte III
http://www.youtube.com/watch?v=dQNSP5a_fXo&feature=related
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Carta de apresentação da Assessoria de Questão Agrária
Questão Agrária
A Veterinária em Questão
Agosto de 2009
No último Encontro Nacional dos Estudantes de Veterinária (28º ENEVET – Botucatu/SP) constituiu-se mais uma vez uma assessoria para assuntos de questão agrária na ENEV. Para alguns, nada mais natural que uma entidade que representa estudantes de um curso com alta interface no meio agrário ter um setor que traga o debate sobre a situação fundiária no país. No entanto, muitos desconhecem ou ignoram que a veterinária deve aprofundar nessa questão.
Não é de hoje que a ENEV afirma sua posição em favor da reforma agrária, conforme ela tem sido traçada pelos movimentos sociais de luta pela terra no país. Mas afirmar, por afirmar, não é o bastante. É preciso trazer essa pauta para dentro das escolas e faculdades de veterinária, assim como é importante também que as articulações com esses movimentos ocorram.
Mas como podemos fazer esse trabalho (Faculdades de Veterinária+Questão Agrária)? Com certeza isso não cabe somente a assessoria, cabe a todos militantes, ex-militantes e apoiadores da Executiva. Algumas atividades são bem possíveis de serem desenvolvidas e fomentadas no meio acadêmico, como:
• Dias de Campo em Assentamentos/Acampamentos;
• Estágios de Vivência em Áreas de Reforma Agrária;
• Divulgar Encontros, Congressos e outros eventos das Ciências Agrárias e Agroecologia com intuito
de aumentar a participação dos estudantes de veterinária frente as novas realidades sociais e
ambientais;
• Criar espaços para palestras e debates sobre Agricultura Familiar, Bem-Estar Animal, Agroecologia e
Etnoveterinária* nas universidades, que são temas que confrontam com o modelo do agronegócio
brasileiro;
• Criar grupos de estudo com essas temáticas;
• Cobrar dos docentes que ministram disciplinas como sociologia, economia e extensão rural que
levem a discussão da questão agrária para as salas de aula;
• Promover atividades em conjunto com outras executivas de Estudantes, como a FEAB e a ABEEF,
que fazem parte da Via Campesina e possuem importante ligação com os movimentos sociais do
campo.
• Utilizar as recepções de calouros para promover atividades de extensão, pautando e levando os
estudantes para áreas de reforma agrária.
Certamente existem outras maneiras de levar esse debate para os cursos de veterinária, cada local tem suas particularidades e cada representante da ENEV deverá estudar a melhor forma de trabalhar isso na sua faculdade. Mas aí já estão algumas idéias da ENEV para poderem ser desenvolvidas. Além disso, a assessoria está à disposição para colaborar na construção dessas e de outras propostas.
A Veterinária não pode ignorar a realidade agrária brasileira. A maioria dos cursos de Medicina Veterinária do Brasil ainda trabalha na lógica produtivista da agropecuária, o que é um grande erro. Pois, o recém formado que vai trabalhar no campo se depara com uma situação muito diferente daquela que ele se preparou para trabalhar na universidade. Por isso, saber fazer uma leitura do processo que vive o campo brasileiro é requisito básico para qualquer veterinário.
*A Etnoveterinária é uma ciência que envolve a opinião e o conhecimento das práticas populares utilizadas para o tratamento ou prevenção das doenças que acometem os animais (Githiori, 2006)
Assessoria de Questão Agrária
Executiva Nacional dos Estudantes Veterinária
Danilo Cavalcanti Gomes – UFMG
danbhte@yahoo.com.br
Thaís Michel – UFRGS
thaismichel@yahoo.com.br
A Veterinária em Questão
Agosto de 2009
No último Encontro Nacional dos Estudantes de Veterinária (28º ENEVET – Botucatu/SP) constituiu-se mais uma vez uma assessoria para assuntos de questão agrária na ENEV. Para alguns, nada mais natural que uma entidade que representa estudantes de um curso com alta interface no meio agrário ter um setor que traga o debate sobre a situação fundiária no país. No entanto, muitos desconhecem ou ignoram que a veterinária deve aprofundar nessa questão.
Não é de hoje que a ENEV afirma sua posição em favor da reforma agrária, conforme ela tem sido traçada pelos movimentos sociais de luta pela terra no país. Mas afirmar, por afirmar, não é o bastante. É preciso trazer essa pauta para dentro das escolas e faculdades de veterinária, assim como é importante também que as articulações com esses movimentos ocorram.
Mas como podemos fazer esse trabalho (Faculdades de Veterinária+Questão Agrária)? Com certeza isso não cabe somente a assessoria, cabe a todos militantes, ex-militantes e apoiadores da Executiva. Algumas atividades são bem possíveis de serem desenvolvidas e fomentadas no meio acadêmico, como:
• Dias de Campo em Assentamentos/Acampamentos;
• Estágios de Vivência em Áreas de Reforma Agrária;
• Divulgar Encontros, Congressos e outros eventos das Ciências Agrárias e Agroecologia com intuito
de aumentar a participação dos estudantes de veterinária frente as novas realidades sociais e
ambientais;
• Criar espaços para palestras e debates sobre Agricultura Familiar, Bem-Estar Animal, Agroecologia e
Etnoveterinária* nas universidades, que são temas que confrontam com o modelo do agronegócio
brasileiro;
• Criar grupos de estudo com essas temáticas;
• Cobrar dos docentes que ministram disciplinas como sociologia, economia e extensão rural que
levem a discussão da questão agrária para as salas de aula;
• Promover atividades em conjunto com outras executivas de Estudantes, como a FEAB e a ABEEF,
que fazem parte da Via Campesina e possuem importante ligação com os movimentos sociais do
campo.
• Utilizar as recepções de calouros para promover atividades de extensão, pautando e levando os
estudantes para áreas de reforma agrária.
Certamente existem outras maneiras de levar esse debate para os cursos de veterinária, cada local tem suas particularidades e cada representante da ENEV deverá estudar a melhor forma de trabalhar isso na sua faculdade. Mas aí já estão algumas idéias da ENEV para poderem ser desenvolvidas. Além disso, a assessoria está à disposição para colaborar na construção dessas e de outras propostas.
A Veterinária não pode ignorar a realidade agrária brasileira. A maioria dos cursos de Medicina Veterinária do Brasil ainda trabalha na lógica produtivista da agropecuária, o que é um grande erro. Pois, o recém formado que vai trabalhar no campo se depara com uma situação muito diferente daquela que ele se preparou para trabalhar na universidade. Por isso, saber fazer uma leitura do processo que vive o campo brasileiro é requisito básico para qualquer veterinário.
*A Etnoveterinária é uma ciência que envolve a opinião e o conhecimento das práticas populares utilizadas para o tratamento ou prevenção das doenças que acometem os animais (Githiori, 2006)
Assessoria de Questão Agrária
Executiva Nacional dos Estudantes Veterinária
Danilo Cavalcanti Gomes – UFMG
danbhte@yahoo.com.br
Thaís Michel – UFRGS
thaismichel@yahoo.com.br
Carta de posicionamento da ENEV sobre o PL 2824/2008
Carta de posicionamento da Executiva Nacional dos
Estudantes de Veterinária sobre o Projeto de Lei 2824/2008
O PL 2824/2008 apresentado pelo Deputado Zequinha Marinho propõe a revogação da alínea “c” do art. 2º da Lei nº 5.550, de 4 de dezembro de 1968, para vedar o exercício das atividades relativas a produção e manejo dos animais aos Agrônomos e Veterinários. Durante o 28º Encontro Nacional dos Estudantes de Veterinária realizado na cidade de Botucatu-SP representantes de veterinária de todo o país chegaram a consenso acerca do PL anteriormente citado.
A atuação de várias profissões dentro do meio rural brasileiro sempre foi objetivo muito estudado e apontado o quanto poderia servir ao desenvolvimento do setor primário no Brasil. Considerando dentro do campo da agropecuária, o conjunto de técnicas para a otimização da produção animal e vegetal muitas vezes foram interpostas à interesses da lógica de mercado, causando conflitos, e gerando impactos positivos e negativos. Por isso, ressalte-se a importância do profissional formado com qualidade e maturidade para entender a complexidade de fatores que implicam na atividade do meio produtivo. Durante todo esse período, veterinários, zootecnistas e agrônomos trabalharam em conjunto na atividade da zootecnia como produção animal, levando a avanços substanciais na produção animal. Hoje o país continua a bater recordes de produção e exportação de carne, tendo desenvolvido substancialmente a agropecuária no país.
No ano de 1968 foi criada a Lei nº 5.550, de 4 de dezembro para atender a demanda de mercado da época por profissionais qualificados para trabalhar especificamente na produção animal, atendendo a lógica de mercado guiada pelo investimento substancial na produção em larga escala, houve um aumento de especialidades dentro de vários campos do conhecimento. Para as ciências agrárias, como a Medicina Veterinária e Agronomia não foram diferentes, e a parte da formação que primava pela produção animal resultou em um novo curso superior, a Zootecnia. Ao longo do tempo, estas profissões cresceram atuando lado a lado no mesmo setor. Com o passar dos anos a demanda por profissionais não é mais a mesma da época, já que a produção animal, na forma de latifúndio como é praticada, necessita de cada vez menos profissionais e a abertura de novos cursos de nível superior continua a crescer exponencialmente como o próprio Deputado Zequinha Marinho reconhece em sua justificativa:
“devido ao expressivo número de zootecnistas formados em mais de sessenta faculdades que oferecem o curso em todo o Brasil.”
Também verificamos a clara justificativa de reserva de mercado de trabalho quando vemos o parecer do relator na comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, o Deputado Nazareno Fonteles afirmar:
“(a) Desde o ano de 1970, até o presente, formaram-se mais de vinte mil zootecnistas, no Brasil.
(b) Atualmente, há no Brasil cerca de cem cursos de Zootecnia (bacharelado ou tecnológicos) reconhecidos ou autorizados; quatro cursos encontram-se inativos; o número de estudantes é estimado em cerca de 18.000.
(c) Prevê-se que, a partir de 2010, formar-se-ão anualmente cerca de cinco mil zootecnistas, em nosso País.”
Além disso, verificamos o aumento de cursos superiores também na veterinária. No final da década de 80 existiam 33 cursos de veterinária no país, hoje temos mais de 160! Nos Estados Unidos, país de dimensão continental e também com vocação agropecuária, o número de escolas de veterinária não passa de 30. Infelizmente a opção que o país fez é de entregar a educação superior à quantidade, deixando de lado as reais demandas da sociedade e a qualidade dos cursos. Nem por isso acreditamos que seja necessário criar leis de reserva de mercado e sim que haja uma reformulação na política do MEC que entrega diplomas de nível superior sem preocupação com os futuros profissionais. Além de mudar a política latifundiária concentradora do país.
O PL prevê a reformulação das malhas curriculares dos cursos de veterinária e agronomia estipulando um prazo de 10 anos para os mesmos retirarem os conteúdos da zootecnia da graduação. Como a Lei de Diretrizes de Base (LDB) da formação do Médico Veterinário afirma, temos de ter uma formação profissional generalista. Caso o PL seja aprovado vai de encontro ao que diz a LDB. O que não conseguimos assimilar é como o veterinário poderá compreender as enfermidades, o bem-estar e características animais se não será ministrado o conteúdo zootécnico durante nossa graduação. Ao corrigir certa enfermidade em um animal e for necessário um manejo zootécnico especial para o animal o veterinário não saberá informar ao produtor? Também isso não será mais abordado em sua graduação? Em que momentos a veterinária se separa totalmente da zootecnia? Essas são perguntas que a resposta é óbvia até para quem não conhece profundamente as áreas em questão. Não é possível separar a medicina veterinária da zootecnia!
A ENEV pauta a defesa da formação do Médico Veterinário generalista, capaz de intervir e relacionar-se com outros profissionais no desenvolvimento de projetos envolvendo a saúde humana e animal. A defesa de que nossa formação inclusive deva considerar com maior vigor outros aspectos correlatos à Epidemiologia, Saúde Pública, Sanidade Animal, Bem-Estar Animal, Ciências Sociais, Agroecologia, dentre outros, mostram a necessidade de que o meio produtivo não deve ser tratado apenas como mais uma via passível de intervenções técnicas e transferência de pacotes tecnológicos, e sim considerar todos os fatores que precedem ou que sejam conseqüências da produção animal. Por isso ressaltamos a indissociabilidade da zootecnia na formação do Médico Veterinário.
Durante audiência pública realizada em Brasília deu-se ênfase no debate aos setores corporativos das profissões. Ficando de fora importantes representantes do ensino como professores, Ministério da Educação e estudantes. O erro histórico de muitas profissões, na tentativa de se consolidar sob espectros corporativos, é a de negar a atuação profissional de um grupo em detrimento de outro sob argumentos classistas e, muitas vezes, duvidosos. Tomamos posição pelo arquivamento do PL 2824/2008 e propomos a construção de um novo modelo de produção agropecuário que promova a utilização dos recursos naturais de modo sustentável, a agricultura familiar e agroecologia. Além de uma reformulação no sistema educacional do país onde as reais demandas de mercado da sociedade sejam atendidas e que não fiquemos reféns de “momentos do mercado”, lógica essa que se mostrou totalmente irracional com o aparecimento da recente crise econômica. Propomos a construção deste processo de forma conjunta entre médicos veterinários, agrônomos, zootecnistas e todos os setores da sociedade.
Botucatu, 19 de julho de 2009
Executiva Nacional dos Estudantes de Veterinária
Referências utilizadas no texto:
1 texto completo da Lei 5550/1968 disponível em:
http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=118549
2 texto completo do PL 2824/2008 disponível em:
http://www.camara.gov.br/sileg/integras/538136.pdf
3 http://www.camara.gov.br/sileg/integras/662173.pdf
Estudantes de Veterinária sobre o Projeto de Lei 2824/2008
O PL 2824/2008 apresentado pelo Deputado Zequinha Marinho propõe a revogação da alínea “c” do art. 2º da Lei nº 5.550, de 4 de dezembro de 1968, para vedar o exercício das atividades relativas a produção e manejo dos animais aos Agrônomos e Veterinários. Durante o 28º Encontro Nacional dos Estudantes de Veterinária realizado na cidade de Botucatu-SP representantes de veterinária de todo o país chegaram a consenso acerca do PL anteriormente citado.
A atuação de várias profissões dentro do meio rural brasileiro sempre foi objetivo muito estudado e apontado o quanto poderia servir ao desenvolvimento do setor primário no Brasil. Considerando dentro do campo da agropecuária, o conjunto de técnicas para a otimização da produção animal e vegetal muitas vezes foram interpostas à interesses da lógica de mercado, causando conflitos, e gerando impactos positivos e negativos. Por isso, ressalte-se a importância do profissional formado com qualidade e maturidade para entender a complexidade de fatores que implicam na atividade do meio produtivo. Durante todo esse período, veterinários, zootecnistas e agrônomos trabalharam em conjunto na atividade da zootecnia como produção animal, levando a avanços substanciais na produção animal. Hoje o país continua a bater recordes de produção e exportação de carne, tendo desenvolvido substancialmente a agropecuária no país.
No ano de 1968 foi criada a Lei nº 5.550, de 4 de dezembro para atender a demanda de mercado da época por profissionais qualificados para trabalhar especificamente na produção animal, atendendo a lógica de mercado guiada pelo investimento substancial na produção em larga escala, houve um aumento de especialidades dentro de vários campos do conhecimento. Para as ciências agrárias, como a Medicina Veterinária e Agronomia não foram diferentes, e a parte da formação que primava pela produção animal resultou em um novo curso superior, a Zootecnia. Ao longo do tempo, estas profissões cresceram atuando lado a lado no mesmo setor. Com o passar dos anos a demanda por profissionais não é mais a mesma da época, já que a produção animal, na forma de latifúndio como é praticada, necessita de cada vez menos profissionais e a abertura de novos cursos de nível superior continua a crescer exponencialmente como o próprio Deputado Zequinha Marinho reconhece em sua justificativa:
“devido ao expressivo número de zootecnistas formados em mais de sessenta faculdades que oferecem o curso em todo o Brasil.”
Também verificamos a clara justificativa de reserva de mercado de trabalho quando vemos o parecer do relator na comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, o Deputado Nazareno Fonteles afirmar:
“(a) Desde o ano de 1970, até o presente, formaram-se mais de vinte mil zootecnistas, no Brasil.
(b) Atualmente, há no Brasil cerca de cem cursos de Zootecnia (bacharelado ou tecnológicos) reconhecidos ou autorizados; quatro cursos encontram-se inativos; o número de estudantes é estimado em cerca de 18.000.
(c) Prevê-se que, a partir de 2010, formar-se-ão anualmente cerca de cinco mil zootecnistas, em nosso País.”
Além disso, verificamos o aumento de cursos superiores também na veterinária. No final da década de 80 existiam 33 cursos de veterinária no país, hoje temos mais de 160! Nos Estados Unidos, país de dimensão continental e também com vocação agropecuária, o número de escolas de veterinária não passa de 30. Infelizmente a opção que o país fez é de entregar a educação superior à quantidade, deixando de lado as reais demandas da sociedade e a qualidade dos cursos. Nem por isso acreditamos que seja necessário criar leis de reserva de mercado e sim que haja uma reformulação na política do MEC que entrega diplomas de nível superior sem preocupação com os futuros profissionais. Além de mudar a política latifundiária concentradora do país.
O PL prevê a reformulação das malhas curriculares dos cursos de veterinária e agronomia estipulando um prazo de 10 anos para os mesmos retirarem os conteúdos da zootecnia da graduação. Como a Lei de Diretrizes de Base (LDB) da formação do Médico Veterinário afirma, temos de ter uma formação profissional generalista. Caso o PL seja aprovado vai de encontro ao que diz a LDB. O que não conseguimos assimilar é como o veterinário poderá compreender as enfermidades, o bem-estar e características animais se não será ministrado o conteúdo zootécnico durante nossa graduação. Ao corrigir certa enfermidade em um animal e for necessário um manejo zootécnico especial para o animal o veterinário não saberá informar ao produtor? Também isso não será mais abordado em sua graduação? Em que momentos a veterinária se separa totalmente da zootecnia? Essas são perguntas que a resposta é óbvia até para quem não conhece profundamente as áreas em questão. Não é possível separar a medicina veterinária da zootecnia!
A ENEV pauta a defesa da formação do Médico Veterinário generalista, capaz de intervir e relacionar-se com outros profissionais no desenvolvimento de projetos envolvendo a saúde humana e animal. A defesa de que nossa formação inclusive deva considerar com maior vigor outros aspectos correlatos à Epidemiologia, Saúde Pública, Sanidade Animal, Bem-Estar Animal, Ciências Sociais, Agroecologia, dentre outros, mostram a necessidade de que o meio produtivo não deve ser tratado apenas como mais uma via passível de intervenções técnicas e transferência de pacotes tecnológicos, e sim considerar todos os fatores que precedem ou que sejam conseqüências da produção animal. Por isso ressaltamos a indissociabilidade da zootecnia na formação do Médico Veterinário.
Durante audiência pública realizada em Brasília deu-se ênfase no debate aos setores corporativos das profissões. Ficando de fora importantes representantes do ensino como professores, Ministério da Educação e estudantes. O erro histórico de muitas profissões, na tentativa de se consolidar sob espectros corporativos, é a de negar a atuação profissional de um grupo em detrimento de outro sob argumentos classistas e, muitas vezes, duvidosos. Tomamos posição pelo arquivamento do PL 2824/2008 e propomos a construção de um novo modelo de produção agropecuário que promova a utilização dos recursos naturais de modo sustentável, a agricultura familiar e agroecologia. Além de uma reformulação no sistema educacional do país onde as reais demandas de mercado da sociedade sejam atendidas e que não fiquemos reféns de “momentos do mercado”, lógica essa que se mostrou totalmente irracional com o aparecimento da recente crise econômica. Propomos a construção deste processo de forma conjunta entre médicos veterinários, agrônomos, zootecnistas e todos os setores da sociedade.
Botucatu, 19 de julho de 2009
Executiva Nacional dos Estudantes de Veterinária
Referências utilizadas no texto:
1 texto completo da Lei 5550/1968 disponível em:
http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=118549
2 texto completo do PL 2824/2008 disponível em:
http://www.camara.gov.br/sileg/integras/538136.pdf
3 http://www.camara.gov.br/sileg/integras/662173.pdf
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